BALANÇO SEMANAL CNC — 07 a 11/09/2020

09.11.2020

Mendonça de Barros apresenta cenário macroeconômico ao CNC

 

Economista aponta impactos da pandemia na economia e orienta que fixar safras futuras, atualmente, garante margens aquecidas aos negócios

 

O economista José Roberto Mendonça de Barros ministrou palestra aos conselheiros diretores do Conselho Nacional do Café (CNC), ontem (10), abordando os impactos da pandemia da Covid-19 na economia brasileira neste ano, as perspectivas para 2021 e os reflexos nas cadeias produtivas e no financiamento de café e grãos.

 

Ele apresentou os cenários da macroeconomia mundial, pontuando que apenas o PIB da China avançou no segundo trimestre em relação ao mesmo intervalo de 2019 e que a recuperação da economia internacional tende a ser lenta.

 

Segundo Mendonça de Barros, há duas linhas de análise dos fatores que podem impactar a velocidade da recuperação da economia: a otimista, gerada pelo suporte dado às famílias pelos Tesouros e Bancos Centrais, pela redução da pandemia e a possibilidade de vacinas; e a pessimista, que considera a quebra de empresas e a redução de empregos permanentes, principalmente da “cadeia de hospitalidade”, que se sobrepõe à melhora nos setores de serviços, tecnologia e alimentação.

 

Em relação ao PIB do Brasil, o economista destaca que nunca houve um ano tão difícil como 2020, em função dos impactos da pandemia da Covid-19. Por outro lado, ele aponta a força do setor agro, que é o único que mantém desempenho positivo no cenário atual.

 

“Daqui a 10 anos, todas as projeções apontam que quem crescerá para atender ao aumento da demanda mundial por alimentos é o Brasil, devido a espaço territorial, fatores climáticos favoráveis e ao investimento em tecnologia e à consequente elevação de produtividade e produção”, salienta.

 

A respeito da Selic, que se encontra em seu menor nível histórico a 2%, Mendonça de Barros informa que as perspectivas da estrutura a termo dos juros de longo prazo indicam crescimentos constantes e que dificilmente se verá a taxa básica abaixo dos dois pontos percentuais atuais.

 

“As projeções para os próximos 10 anos apontam a Selic em evolução constante e se situando próxima a 8% no começo de 2031. Considerando isso, a taxa atual do Funcafé, de até 5,25%, é excepcional”, analisa.

 

O economista anota, ainda, que é difícil pensar no dólar abaixo do nível de R$ 5 no curto prazo, com a divisa devendo flutuar entre R$ 5 e R$ 5,50. De acordo com ele, com a moeda nesses níveis e a demanda aquecida pelo agro brasileiro, em especial o café, é fundamental que cooperativas e produtores “fixem suas safras futuras” e garantam margens aquecidas no negócio.

 

A palestra de Mendonça de Barros foi realizada durante Assembleia Geral Ordinária do CNC, oportunidade em que os conselheiros diretores, diante do cenário de pandemia da Covid-19 e suas consequências, optaram por estender o mandato da atual gestão até março de 2021, quando será realizada nova AGO.

 

 

 

Café: números do IBGE reforçam que não haverá safra recorde

 

Instituto estimou produção brasileira em 59,6 milhões de sacas, volume, conforme o CNC, condizente com a realidade do campo

 

Ontem (10), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou a safra 2020 de café do País em 59,6 milhões de sacas de 60 kg, volume que implica incremento de 19,4% em relação ao volume produzido em 2019. Do total projetado pela instituição, 45 milhões de sacas se referem à variedade arábica – recorde histórico nos levantamentos – e 14,6 milhões à conilon.

 

A projeção do órgão oficial do governo condiz com a realidade do campo e vem ao encontro do que o Conselho Nacional do Café (CNC) vem defendendo há tempos, de que a safra cafeeira 2020 do Brasil não será recorde e se situará próxima a 60 milhões de sacas.

 

De acordo com o presidente da entidade, Silas Brasileiro, observam-se, anualmente, insistentes números apresentados por agentes internacionais que podem ter a intenção de depreciar as cotações do produto.

 

Contudo, ele alerta que esses players esquecem que tirar a renda e a competitividade do produtor impactará significativamente a produção em médio e longo prazo, reduzindo a oferta e, consequentemente, elevando os preços diante da falta de café.

 

“Um cenário ideal precisa apresentar equilíbrio entre oferta e demanda, com todos os segmentos recebendo suas margens. Assim, encontraremos a desejada sustentabilidade econômica na cadeia e evitaremos sobrepreços aos consumidores finais”, analisa.

 

Mesmo não se tratando de uma safra recorde, o presidente do CNC comenta que ela será suficiente para honrar os compromissos com exportação e o consumo interno do produto.

 

“Devemos manter um ritmo intenso de exportação, com o volume se situando ao redor de 40 milhões de sacas, e nosso consumo deverá girar em torno de 21 milhões de sacas. Isso implica no uso dos já reduzidos estoques. Ou seja, enquanto uns apontam um cenário para a depreciação das cotações, a realidade evidencia que os fundamentos são positivos, tanto que os preços vêm registrando recuperações constantes em 2020”, finaliza Brasileiro. 

 

 

CNC: liberação de recursos do Funcafé ultrapassa R$ 2 bilhões

 

Volume disponibilizado nos agentes financeiros equivale a 42% do total de R$ 4,9 bi contratados pelas instituições junto ao Fundo até o momento

 

O Conselho Nacional do café (CNC) apurou, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que a liberação dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) aos agentes financeiros, na safra 2020, chegou a R$ 2,061 bilhões até o último dia 4 de setembro.

 

Considerando que o total contratado por bancos e cooperativas de crédito junto ao Fundo, na temporada cafeeira atual, soma R$ 4,9 bilhões até o momento, o volume liberado às instituições representa 42% desse montante. É válido recordar que, para o ciclo 2020, o Funcafé disponibiliza um total de R$ 5,710 bilhões.

 

Do volume repassado até agora, R$ 861,4 milhões foram destinados à Comercialização, o que corresponde a 37,5% do disponibilizado para esta linha; R$ 566,4 milhões para Custeio (35,4%); R$ 362,1 milhões ao Financiamento para Aquisição de Café - FAC (31,5%); e R$ 270,6 milhões para Capital de Giro (41,6%).

 

CONTRATOS ASSINADOS

Até hoje, 29 instituições financeiras assinaram contratos para o recebimento de recursos do Funcafé, somando um valor de R$ 4,920 bilhões, o que equivale a 79,6% do total de R$ 5,710 bilhões disponíveis. Ainda restam três agentes – Santander Brasil (tomou parcialmente os recursos), Citibank e Banco do Brasil – que se credenciaram para rubricar os contratos, envolvendo um montante de R$ 790,2 milhões.

 

 

Futuros do café acumulam leve desvalorização na semana

 

Cotações foram pressionadas pelo avanço do dólar, principalmente na terça-feira. Preços, contudo, acumulam ganhos de 14% em 12 meses

 

Os contratos futuros internacionais do café encerraram a semana com leve queda, pressionados pelo avanço moderado do dólar comercial. Contudo, o suporte técnico seguiu intacto, o que acabou motivando uma recuperação, ontem, sinalizando inclinação positiva ao mercado.

 

Muitos agentes parecem não acreditar no desempenho atual das cotações, em especial do arábica, que acumula ganhos de quase 14% nos últimos 12 meses, mesmo diante de uma boa safra do Brasil, que está com a colheita em sua reta final, e do não registro de problemas climáticos em importantes produtores da América Central e na Colômbia.

 

Na Bolsa de NY, o vencimento dez/2020 encerrou o pregão de quinta-feira a US$ 1,317 por libra-peso, acumulando desvalorização de 230 pontos na comparação com a sexta-feira da semana passada. Na ICE Europe, o vencimento nov/2020 recuou US$ 21, sendo cotado a US$ 1.423 por tonelada.

 

É válido registrar que, conforme dados apresentados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de café do Brasil somará 59,6 milhões de sacas. Segundo o Conselho Nacional do Café (CNC), a projeção do órgão oficial do governo condiz com a realidade do campo e vem ao encontro do que a entidade defende há tempos, de que a safra cafeeira 2020 do país não será recorde e se situará próxima a 60 milhões de sacas.

 

Em relação ao clima, a Somar Meteorologia informa que a semana se encerra sem alterações no Sudeste, com predomínio de sol em quase toda a Região. A exceção fica para a faixa litorânea entre São Paulo e parte do Rio de Janeiro, onde pode haver aumento de nebulosidade e chuva fraca.

 

Já a respeito do câmbio, o dólar comercial acumulou valorização de 0,2% no acumulado da semana, encerrando a sessão de quinta-feira a R$ 5,32. O movimento foi puxado pelo desempenho de terça-feira (8), quando a divisa avançou acompanhando o cenário exterior, onde houve fuga de ativos de risco, correção de preços nas bolsas e desvalorização do petróleo.

 

No cenário interno, agentes consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informam que a safra 2020 do café arábica, cuja colheita está praticamente finalizada, teve boa qualidade. "Players indicam que há elevados aspecto e bebida e, quanto à peneira, está satisfatória".

 

Em relação ao robusta, no Espírito Santo, produtores consultados pela instituição estão atentos ao clima, uma vez que chuvas regulares são necessárias nas próximas semanas para o pegamento das flores da safra 2021. Em Rondônia, o clima permanece seco e agentes aguardam o retorno das precipitações para a abertura da florada nos cafezais.

 

No mercado físico, o ritmo de negócios permanece lento, principalmente para o arábica, que tem boa parte da nova safra já comercializada. O indicador calculado pelo Cepea para a variedade teve declínio de 3,1% na semana, situando-se em R$ 587,04/saca. Para o robusta, o índice ficou em R$ 399,98/saca, com recuo de 0,2%.

 

 

 

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