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Ameaça à cafeicultura brasileira

  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Por Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC)


Ações realizadas fora do contexto da produção, conduzidas inclusive por outras unidades do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), podem comprometer a produção de café do Brasil.


Um exemplo disso é o recente entendimento entre o MAPA e o PROMECAFÉ. Nesse contexto, discutiu-se a possibilidade de ceder o que temos de mais importante para manter competitiva a produção do café brasileiro, colocando na mesa o que temos de mais importante, o que para nós, é inegociável.


Estamos falando do conhecimento científico e do patrimônio genético que o Brasil construiu ao longo de décadas e que são fundamentais para a manutenção da nossa produção.


Não podemos tratar essa matéria como uma simples troca de experiência com outros países que não possuem evolução na pesquisa, nem as mesmas legislações ambientais e sociais rígidas às quais os produtores brasileiros estão submetidos, o que nos leva a afirmar também que jamais poderiam usar esses argumentos em favor de suas pretensões, pois não possuem o princípio da reciprocidade.  


O que mantém a nossa vantagem comparativa está exatamente no conhecimento científico desenvolvido pelo Brasil que se encontra à disposição da produção, através do nosso banco ativo de germoplasma. Esse patrimônio é estratégico para a cafeicultura e para a manutenção da nossa capacidade produtiva.


Por isso, qualquer iniciativa que possa comprometer esse patrimônio representa um risco para a produção brasileira. Se queremos manter o Brasil como primeiro produtor mundial de café, precisamos preservar o que nos permite continuar produzindo com qualidade, produtividade, sustentabilidade e competitividade.


Como lideranças da produção, é nossa responsabilidade garantir que o conhecimento científico do Brasil seja preservado e continue sendo a base para sustentar a nossa produção e a nossa posição de liderança mundial.


Estamos atentos e não podemos deixar que nenhum fator comprometa uma atividade que é um dos maiores geradores de emprego e renda do país, com presença em 17 estados, em 1.983 municípios brasileiros, os quais apresentam melhores índices de desenvolvimento humano (IDH).


A cafeicultura tem um papel decisivo no desenvolvimento dessas regiões. A presença da atividade contribui para que os produtores permaneçam em seus municípios, evitando êxodo rural, como consequência, inchaço populacional nas cidades e problemas social mais graves.


São cerca de 330 mil produtores, sendo aproximadamente 78% pequenos cafeicultores. Estamos falando de uma cadeia que envolve milhares de famílias e que possui uma importância econômica e social que não pode ser desconsiderada em decisões que afetem o futuro da produção.


O Brasil deve manter sua condição de ser o maior produtor mundial de café, usando conhecimento, ciência, tecnologia e um patrimônio genético que nos permite avançar.


Por isso, defendemos o diálogo e estamos à disposição para que acordos bilaterais possam ser firmados, mas sempre preservando os interesses da cafeicultura brasileira e o que é essencial para manter a nossa produção.


Não podemos comprometer o que nos permite produzir hoje e, principalmente, o que garantirá a produção do café brasileiro no futuro.


O conhecimento científico é um patrimônio estratégico do Brasil. Preservá-lo é uma condição para preservarmos a nossa cafeicultura.


Mais informações para a imprensa

Assessoria de Comunicação

 
 
 

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